O sino badala uma vez, duas, três...
a música começa, as cortinas se abrem...
o picadeiro está pronto e quem está lá?
O que tem atrás das cortinas?
Atrás dos panos muitas vezes vermelho, tem um corpo muitas vezes cansado;
com um rosto muitas vezes marcado; pelo tempo, pela vida, por muitas alegrias, por muitas tristezas; D'aquele amor que foi embora por não aguentar a pressão, d'aquele irmão que resolveu trocar de profissão...
Mas e quem quer saber?!
À quem importa a vida do palhaço?!
À quem importa a dor do palhaço?!
Afinal, tudo o que as pessoas querem é um belo espetáculo.
Querem que o homem de face colorida, esconda sua dor, sua alma de uma maneira que as pessoas não se arrependam do dinheiro gasto na bilheteria.
As crianças aplaudem com entusiasmo e alegria, os adultos escolhem o momento do espetáculo, para esquecerem muitas vezes quem são ou o que são.
Tudo está ótimo, em quanto o nobre palhaço faz seu maravilhoso papel.
Quantas vezes as lágrimas foram escondidas com uma tinta branca?
Quantas vezes a dor do peito tentou saltar aos olhos, mas foram recolhidas e aprisionadas; por que o mais importante, era que suas janelinhas da alma, estivessem livres e contentes para que através de si fosse visto um mundo melhor.
Na minha opinião os melhores palhaços que vi até hoje, tinham olhos de esperança!
Acho que é isso o que eles sentem a cada espetáculo!
Esperança de que um dia as pessoas se tornem um pouco como eles, que apesar da dor, preferem transmitir felicidade e causar sorrisos ao invés de guerra.
Ali, quando as cortinas se abrem, todos passam a ser iguais, a platéia finge ser inocente e o palhaço finge ser sempre feliz.
As vezes eu gostaria de ser um ser humano tão forte e sensível quanto aos anjos de rostinhos pintados, que pulam e viram cambalhotas.
Mas por outras vezes tenho certeza que não conseguiria...
Por que, quem é nasce pronto...
E isso é coisa de palhaço..
"Devemos visitar os bastidores de nossa alma, fantasiados de palhaço. Dessa forma, podemos sorrir de nossas falhas e tripudiar das inseguranças, atraindo-as para o nosso maior aliado: o picadeiro. É aqui, que as feras de orelhas enormes minguam ao som dos aplausos de Deus e dos nossos amigos."
(Augusto Vicente)



