Senta aí e acalma o coração, tenho uma história pra contar. Fim de semana chegando, nada programado. O jeito é encarar uma social com os amigos de toda a vida. A princípio não lhe parece nada de mais, afinal você já tem uma mega festa lhe esperando fim de semana que vem. Então vale a pena você se acalmar dessa vez. Ali naquele clima de irmãos, você joga algumas coisas, cartas, conversa fora, joga com as palavras, com os sentimentos, com as lembranças. No dia seguinte passa manhã, tarde e noite, inutilmente jogada em um canto, fazendo alguma coisa qualquer sem menor importância, nem se quer é capaz de lembrar da noite anterior, isso que nem bebida tinha. Lógico você está se preparando para o fim de semana que vem. Em fim graças a Deus você pensa, chegou a segunda-feira! Dali até a próxima sexta é um pulo. Afinal você não faz mais nada de interessante da sua vidinha medíocre que faça você se preocupar. Nem se quer trabalha pra honrar um baita tempo que você dedicou em uma sala de aula. Pois bem, não vamos perder o foco, afinal já é quarta-feira, mais dois dias e pronto. Sua festa vai estar BOMBANDO! Assim pensa você.
Sexta-Feira: Dia de Balada!!
Passa o dia se arrumando, pensando na roupa, maquilagem, cabelo e todo aquele nhenhenhÊ de toda festa. Na sua inocente e lesada mente, você acha que está arrasando. Acha que dessa vez você vai achar o caminho de tijolinhos amarelos. Pois bem, encontra as amigas e vai pra balada do Iraque que certeza, está BOMBANDO!!
Quando você coloca seu belo pezinho, todo arrumadinho e até com um sapatinho novo no primeiro espaço da festa que você planejou a semana inteira. Bate de repente um flash na sua mente. -Como aquele que os homens de preto usam no filme MIB-. Algo simplesmente apaga sua memória. E você ainda sem entender nada se pergunta:
- Mas que diabos eu estou fazendo aqui?!?!
Pois é, o primeiro impacto foi com a música que você não gosta em um ambiente que não lhe soa nem um pouco familiar. Você começa a se perguntar, o que levou você: uma menina doce, que ama um bom livro acompanhado de uma bela caneca de café, na tranquilidade de seu cafofo estar naquele lugar. Mas tudo bem, seu susto maior foi ver a roupa das pessoas presentes, digamos que não todas mas a maioria usavam cintos que chamavam de saias, blusas que mais pareciam faixas de cabelo. Um arrependimento começa a brotar de dentro do âmago do seu ser. Que diabos estou fazendo aqui, você se pergunta novamente. Agora além de estar em um lugar estranho, com pessoas esquisitas, com música que você definitivamente não gosta, agora você se sente a avó de alguém, que tentou achar seu modelito mais "jovial" para ir na festinha da neta, mas ainda assim parece que saiu de uma festa dos anos 60. Você acaba esquecendo porque que foi na tal festa. Tenta dançar, se soltar, rola até um drinque aqui e outro ali, mas nada funciona, afinal você acha estranho até o modo de beber das pessoas. Você bebe socialmente enquanto as tais meninas dos cintos chegam totalmente embriagadas. Você pensa: "Tá pelo menos estou com minhas amigas!". Falando nelas... Ao seu lado não estão, subitamente você enxerga uma em um canto, atracada em um menino que você nunca viu na vida e as outras você simplesmente desiste de procurar.
Tudo de mais emocionante que poderia acontecer ali já aconteceu, dai você começa a se lembrar do fim de semana passado. Lembra dos amigos que tanto você ama, por que eles não estão ali? Lembra que os melhores momentos da sua vida, você passou jogando... de repente fora pela janela. Não que você tenha trocado os amigos ou que aqueles momentos não fossem importantes, mas você simplesmente deixou passar. Pra viver o "SE" do próximo fim de semana. Agora você volta para a realidade o tuntz-tuntz está martelando sua cabeça como se quisesse tirar sua alma do lugar, e tudo que você gostaria era não estar ali. Queria seu pijama, um bom livro e aquela caneca de ursinho cheia de café com leite. E de repente um breve telefonema de alguém que faz seu coração bater de verdade.
Demora mas uma hora a festa acaba, você encontra as amigas. todas estão eufóricas, contentes e felizes por que a noite foi um sucesso. E você com aquele enorme vazio só seu, que ninguém sabe e se não fosse as linhas, ninguém nunca saberia.
Ao chegara em casa, toma um bom banho, como de arrependimento, como de quem tenta purificar o que tem dentro da mente. E faz tudo que queria. O pijama; o livro; o café. E o sono não vem.O vazio te engole como um boêmio absorve o último gole de cerveja em um bar qualquer.
Teu corpo, tua mente, teu coração sinaliza o que passa dentro de você, lhe explica o porque desse mal querer.
Bem sabes tu, que essa vida não é pra ti moça. Gostas de uma música mansa ao pé do ouvido, uma companhia constante e presente, que lhe tire o fôlego constantemente e não apenas em uma noite, a calmaria das estrelas de um negro céu inflamado de poesia. Gostas de estar no meio do que é simples, do que pra você é o universo resumido em tudo que já tens. Não precisas de mais e agora sabes o que fazer para que aquele vazio não volte e isso é vital.
Agora aprendi que levando as coisas de vagar não me faltará amor e para o próximo fim de semana, que tal uma reunião de amigos aqui em casa, com uma boa pizza e alguns filmes =)

